1- A vida pode ser um programa de 12 passos.

Programas de 12 passos foram criados inicialmente para tratar o alcoolismo, mas, com o tempo, se estenderam para o tratamento de praticamente todas as dependências químicas e compulsões. Normalmente nossos erros ou falhas, tanto na vida pessoal/familiar quanto na vida profissional, ocorrem pela repetição de um padrão que não conseguimos controlar. Mesmo tendo consciência dos erros, eles parecem ser maiores do que nós e se repetem, contrariando todos os nossos esforços e nossas melhores intenções. Considerando então essas fraquezas, que são tão frequentes, pode-se perfeitamente aplicar o programa de 12 passos em nossas vidas, não apenas para se ter controle de nossas compulsões mas também para se iniciar um processo de autoconhecimento, tendo como base justamente as nossas falhas. De onde elas vêm? Qual a razão de elas existirem? Por que não as controlamos? São elas uma espécie de autossabotagem?A aplicação de um programa de 12 passos nos dará respostas a essas perguntas.

 

2- Já não se faz mais rejuvenescimento como antigamente.

Eu sou da última geração em que as pessoas começavam a vida com um emprego e se aposentavam com ele. E também da última geração que teve a vida toda uma única profissão. Hoje, olhando pelo retrovisor, lá para o início da minha carreira, fica claro que não tem o menor sentido fazer o meu trabalho da mesma maneira como eu fazia quando comecei em publicidade.  A profissão mudou. E mudou radicalmente. E essas transformações, tão profundas, passaram a acontecer cada vez mais rapidamente. Não mais de 30 em 30 anos.  Ou de 20 em 20, ou de 10 em 10 anos. Elas passaram a ocorrer de um ano para o outro. Hoje em dia a necessidade de se adaptar e de se reinventar é urgente.  Aos 50 anos eu passei a dominar o marketing digital e acreditei que seria a última coisa que iria aprender para continuar trabalhando e me mantendo atualizado na área de comunicação. Mas nos últimos 10 anos fui obrigado (e isso me deu um grande prazer) a me reciclar muitas outras vezes. E a reciclagem não foi apenas técnica. As reciclagens psicológica e emocional pelas quais eu tive que passar foram ainda mais profundas.  Eu precisei aprender a conviver com pessoas 20, 30, 40 anos mais jovens do que eu, que achavam graça em coisas que eu não achava nada divertido, que ouviam músicas que eu achava ridículas, que iam a baladas a que eu só iria sob tortura, que tinham um ritmo de vida completamente diferente do meu e uma visão de mundo completamente oposta à que eu tinha e tenho. E, para quem trabalha em comunicação, experimentar a vida é fundamental.  A matéria prima da comunicação são as impressões que você tem da vida, do ponto de vista de quem tem a vida toda pela frente. Se antes era necessário rejuvenescer o corpo e o intelecto, hoje é preciso rejuvenescer a alma. E sem tesão não existe renovação, não existe a experiência criativa, não existe rejuvenescimento. Sem tesão a pessoa envelhece e morre. Esse é, sempre foi e será, o grande incentivo para você fazer qualquer coisa bem-feita na vida. O tesão traz curiosidade, traz perseverança, dedicação, solidariedade e generosidade. Estar preparado para o mercado de trabalho é estar preparado para viver e aprender como se estivesse experimentando tudo pela primeira vez. O melhor CEO com que já trabalhei tinha 84 anos e andava, falava, fazia piadas, vibrava e tinha a curiosidade de um estagiário.

 

3- Por que a gente vota em maus políticos?

Votamos em maus políticos porque não os conhecemos direito. Eles aparecem em nossas vidas apenas alguns meses antes das eleições, nos fazendo promessas e mais promessas. Nessa ocasião é criado um clima eleitoral. Imprensa, amigos, vizinhos e familiares se ocupam o tempo todo com esse assunto. Digamos que esse clima eleitoral seja uma febre. Uma manifestação do corpo social que reage a uma doença. Fica claro neste momento que a educação está doente, o transporte público está doente, a saúde pública está doente e assim por diante. Nesse contexto eleitoral são feitas as pesquisas de intenção de votos. Surgem também pesquisas um pouco mais sofisticadas e profundas, chamadas qualitativas, que acabam por definir as estratégias eleitorais dos partidos e dos políticos. Nessas investigações se pergunta ao “homem doente”, afetado pelo clima eleitoral, o que ele acha da educação, das propostas de determinado político etc. Tomado pela febre eleitoral o cidadão não responde o que ele verdadeiramente pensa, mas o que ele gostaria que fosse. Isso deveria ser tomado, não como uma mentira, mas como uma falsa informação. E, baseado nessas falsas informações, cada candidato constrói um programa de governo, um discurso eleitoral. Isso, obviamente, induz o eleitor a escolhas erradas. Esse processo eleitoral eu chamo de alopatia política. Um tratamento de choque que trata primeiro o sintoma e depois investiga a causa da doença.Já na homeopatia política, uma metodologia criada por mim, o processo é outro. Ele é baseado em quatro princípios, sendo que dois deles merecem destaque: 1) Experimentação no Homem são, ou seja, livre da febre eleitoral. Nesse momento, fora do contexto eleitoral, se fizermos perguntas ao homem são, ele nos dirá o que realmente pensa e não o que ele sonha ser o ideal. 2) Doses mínimas e dinamizadas, que nesse caso seria o uso das redes sociais para que as propostas do candidato sejam expostas e debatidas o ano inteiro, diariamente, fora do contexto da disputa eleitoral. E isso se faz pela internet, no dia a dia do eleitor, através do marketing político digital. Nessas condições a verdade se torna mais visível. É preciso entender que o eleitor dos 45 dias do horário eleitoral é o mesmo consumidor dos 365 dias do ano. Com o mesmo CPF, mesmo RG. Estamos falando de marketing político, portanto é justo tratar o eleitor como um consumidor de ideias, um consumidor de propostas, um consumidor e gerador de opiniões. Essa mudança de percepção e de ação são fundamentais para se garantir honestidade ao debate, que levará o eleitor a uma escolha mais lúcida.

 

4- O futuro está com os dias contados.

O futuro tem pressa. Ele não quer conversa, não quer negociação.
O futuro nos assalta e temos que nos render a ele rapidamente.
Antes de nos acostumarmos com sua presença, ele se despede e vira presente.
Coitado. O futuro perdeu a razão de ser. Está desesperado, sem rumo, sem perspectiva, sem ele mesmo.
O futuro se esvaziou e, em breve, tudo será presente.
Mas que presente?
Não estou falando de um presente cronológico, mas num estado de alma.
Uma alma absorvente, atemporal.
Uma alma que vê, que se antecipa, que se adapta, que se renova e se mantém permanentemente atenta.
O presente deixa de ser uma realidade temporária e passa a ser um conhecimento permanente, que abrange tudo.
Um conhecimento quase premonitório, quase mediúnico.
Esse novo futuro impõe que a gente crie um observador interno, fixo, sólido, imutável que entenda o passar do tempo como um cardápio de possibilidades das quais esse observador possa se servir à vontade. E jamais se apegar e se identificar com o cardápio.
O futuro, se o presente for uma consciência permanente de nós mesmos, não será misterioso, mas previsível e sempre bem-vindo, com suavidade, sem sustos.
Esse novo olhar será, certamente, uma postura espiritual diante da vida. Mas também será uma necessidade, uma preparação objetiva para o que virá.
Essa postura espiritual se funde com a uma nova necessidade, tornando-se assim uma prática quase obrigatória de sobrevivência.
Vejam:  fui convidado a falar sobre um novo olhar para o futuro.
Provavelmente era esperado que eu viesse aqui fazer previsões e reflexões sobre futuras revoluções tecnológicas, com robôs ocupando o lugar dos humanos.  Ou sobre o home office virar num novo e geral modus operandi. Ou a China ocupar o lugar dos USA, a Índia ocupar o lugar da China e pandemias virarem uma rotina no mundo. Em vez disso, venho aqui afirmar que haverá uma mudança radical no nosso modo de pensar e na maneira como experimentamos a vida. Essa mudança será uma transformação profunda que se dará em nossa alma. Ou isso, ou seremos condenados a uma dor terrível que tornará nossas vidas insuportáveis. Não estou falando de uma mudança que ocorrerá daqui a 100 anos. Estou falando do amanhã, do depois de amanhã, ou logo a seguir. Estou falando de uma nova época onde a espiritualidade será uma ferramenta de sobrevivência. Um alimento para alma que, sem esse alimento, o corpo irá sobreviver, mas a vida perderá completamente o sentido.